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Amália Rodrigues

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A voz que transformou a melancolia de uma cidade no som português mais amado do mundo veio de uma rapariga que vendia frutas na beira rio. Amália Rodrigues transformou o fado de música cantada em tabernas pouco iluminadas numa forma de arte que tocou públicos em todos os continentes.

 

Nascida em 1920 na pobreza, a jovem Amália trabalhava no Cais da Rocha a vender laranjas para ajudar a alimentar a família. Mas quando cantava enquanto trabalhava, as pessoas paravam. Ouviam. Aos 19 anos, já actuava em casas de fado, a sua voz carregava a saudade, aquele anseio português intraduzível, que definia a alma de uma nação.

 

O que tornou Amália revolucionária foi como reimaginou o próprio fado. Trouxe poesia de escritores contemporâneos, colaborou com o compositor Alain Oulman e expandiu as fronteiras honrando a tradição. Em 1954, o seu álbum alcançou o número um na América, extraordinário para música não inglesa. Actuou no Olympia de Paris durante dez temporadas. Charles Aznavour escreveu canções para ela. Gravou 170 álbuns e tornou se na artista portuguesa mais vendida da história.

 

Quando morreu em 1999, seguiram se três dias de luto nacional. Em 2001, tornou se na primeira mulher trasladada para o Panteão Nacional.

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