
Bem à sua frente está um dos arcos de pedra mais altos alguma vez construídos, elevando se 65 metros acima do Vale de Alcântara. Este é o Aqueduto das Águas Livres, uma maravilha da engenharia que salvou uma cidade de morrer de sede.
Antes de 1731, a cidade sobrevivia com apenas três fontes públicas. A água era tão escassa que os residentes enfrentavam carências constantes, especialmente durante as estações secas. O Rei D. João V decidiu resolver esta crise trazendo água limpa das nascentes nas colinas distantes, a 58 quilómetros de distância. Foi o projeto de água mais ambicioso do século XVIII.
A construção foi paga através de impostos sobre artigos do quotidiano como vinho, carne e azeite. Quando a água finalmente fluiu em 1748, transformou a vida completamente. Dezenas de novas fontes surgiram pela cidade, abastecendo casas, conventos e fábricas.
Depois veio o terramoto de 1755. Enquanto a maior parte da cidade ruiu, os 109 arcos do aqueduto mantiveram se firmes. A água continuou a fluir mesmo quando tudo o resto desmoronou.
O sistema terminava aqui no reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, no bairro das Amoreiras. Concluída em 1834 após 88 anos de construção, esta câmara com aspeto de catedral continha 5.500 metros cúbicos de água. Projetada pelo arquiteto húngaro Carlos Mardel, distribuía água pela capital em crescimento até 1967.
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