
Por detrás destas elegantes paredes na Calçada da Boa Hora, em Alcântara, encontra se um dos arquivos coloniais mais notáveis do mundo. Mais de 16 quilómetros de documentos preenchem estas salas, preservando cinco séculos de história imperial portuguesa em três continentes.
O próprio Palácio da Ega conta uma história fascinante. Originalmente construído no século XVI, foi transformado nos anos 1700 pelo 2.º Conde da Ega, Aires José Maria de Saldanha, que criou o deslumbrante Salão Pompeia. Este salão circular apresenta oito painéis impressionantes de azulejos holandeses que retratam as maiores cidades portuárias da Europa, com as suas cores ainda vivas nas paredes.
Estas mesmas salas já albergaram uma improvável amizade durante as horas mais sombrias de Portugal. Quando as forças francesas ocuparam o país em 1807, o General Jean Andoche Junot tornou se um convidado habitual nas festas luxuosas do Conde. O general que liderou o exército invasor de Napoleão dançou e jantou aqui enquanto as suas tropas controlavam as ruas lá fora. A família real portuguesa já tinha fugido para o Brasil, mas a aristocracia permaneceu, navegando pela política perigosa da ocupação.
O palácio tornou se propriedade do Estado em 1919. Doze anos depois, foi especificamente redesenhado para abrigar o então chamado Arquivo Histórico Colonial, abrindo as suas portas a 9 de julho de 1931. A coleção abrange do século XV ao século XX, documentando territórios portugueses do Brasil a Macau, de Angola a Timor.
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