
Isto não é apenas uma fonte. É o tema de uma das pinturas mais controversas da história portuguesa.
Por volta de 1570, um artista flamengo parou perto do Chafariz d'El-Rei no Cais de Santarém e pintou algo extraordinário. A obra mostra mais de 150 pessoas reunidas em torno desta fonte medieval: escravos africanos carregando jarros de água, nobres portugueses a cavalo, comerciantes judeus e residentes negros livres. Todos partilhavam a mesma fonte de água na movimentada orla de Alfama.
O que torna esta pintura notável é que a arte europeia dos anos 1500 quase nunca retratava tanta diversidade racial e social. Durante séculos, os historiadores de arte nem sabiam que esta pintura existia.
Quando o milionário José Berardo comprou o painel no final dos anos 1990, os especialistas questionaram imediatamente se era real. Como poderia uma pintura europeia do século 16 mostrar africanos negros, judeus e cristãos a interagir tão naturalmente? Muitos acreditavam que era uma falsificação moderna.
Em 2017, o Museu Nacional de Arte Antiga finalmente resolveu o debate. Usando análise científica, provaram que a pintura era genuína. A madeira, a tinta e as técnicas datavam todas dos anos 1570.
O próprio Chafariz d'El-Rei foi construído nos anos 1200 pelo Rei Dinis para fornecer água fresca à comunidade piscatória e aos navios que atracavam na orla do rio.
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