
Este local foi outrora o ponto de partida de navios que mudariam o mundo para sempre. Em 1419, deste porto, capitães portugueses iniciaram expedições metódicas para águas que a maioria dos europeus acreditava serem o fim da existência, dando início ao que a história chama de Era dos Descobrimentos.
O Infante D. Henrique, terceiro filho do rei D. João I, orquestrou esta transformação sem nunca ter navegado. Da sua base no sul de Portugal, financiou expedição após expedição entre 1419 e 1460, enviando capitães em caravelas recém desenhadas. Estes navios leves e manobráveis, com velas triangulares inspiradas em barcos de pesca árabes, podiam navegar contra o vento, algo que embarcações europeias anteriores não conseguiam fazer.
As conquistas surgiram gradualmente. As ilhas da Madeira em 1419. Os Açores por volta de 1427. Depois, em 1434, Gil Eanes conseguiu o que marinheiros aterrorizados consideravam impossível: navegou para além do Cabo Bojador, o ponto que chamavam de fim do mundo, e regressou vivo. Em 1460, os navios portugueses tinham mapeado a costa africana até Serra Leoa.
O ímpeto cresceu. Bartolomeu Dias dobrou a ponta sul da África em 1488. Vasco da Gama abriu a rota marítima para a Índia em 1498, quebrando o monopólio secular do comércio oriental e trazendo especiarias diretamente para este porto.
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