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Hospital Colonial para Egas Moniz

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Há um século, esta propriedade junto ao rio tornou se um santuário para as vítimas esquecidas do império. O Hospital Colonial abriu aqui em 24 de abril de 1902, por decreto do rei Carlos I, criado especificamente com um propósito sombrio: tratar soldados portugueses e funcionários coloniais que regressavam de África e Ásia transportando doenças que os médicos do continente nunca tinham visto.

 

Durante 23 anos, o hospital comprimiu se na antiga Cordoaria Nacional, a secular fábrica de cordas onde os trabalhadores outrora teciam enormes velas para os navios de exploração portugueses. Mas o edifício nunca foi concebido para ser um hospital. Os doentes chegavam em números crescentes, sofrendo de malária, doença do sono e outras aflições tropicais, sobrecarregando as enfermarias improvisadas.

 

Tudo mudou em 1919 quando o governo português comprou a vasta propriedade Quinta do Saldanha ao longo da frente ribeirinha da Junqueira. A colónia de Macau financiou a construção do primeiro pavilhão hospitalar dedicado, que abriu em 1925 com o nome de Macau. Seguiram se edifícios adicionais, criando um verdadeiro campus médico onde a medicina tropical podia finalmente ser praticada e estudada seriamente.

 

A identidade do hospital mudou com a história de Portugal. Tornou se Hospital do Ultramar em 1948, depois em 1974, quando o domínio colonial português colapsou, foi renomeado Hospital de Egas Moniz. O novo nome homenageou António Egas Moniz, o único vencedor português do Prémio Nobel da Medicina, que foi pioneiro da angiografia cerebral em 1927, revolucionando como os médicos podiam ver dentro do cérebro vivo.

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