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Incêndio da Real Barraca

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As colinas da Ajuda testemunharam chamas a consumir o que era para ser temporário. Após o catastrófico terramoto de 1755 destruir o Palácio Real da Ribeira, o rei José I desenvolveu um medo tão intenso de edifícios de pedra que recusou viver em espaços fechados. A sua solução foi extraordinária: um vasto palácio de madeira chamado Real Barraca, construído em terreno mais elevado onde os tremores pareciam menos ameaçadores.

 

Esta residência de madeira, concluída em 1761, tornou se a casa da realeza portuguesa durante quase quarenta anos. Os aposentos estendiam se pela colina, ligados por corredores de madeira, albergando toda a corte. O rei sentia se mais seguro em madeira, acreditando que flexionaria durante terramotos em vez de colapsar como a pedra.

 

Mas numa noite de novembro de 1794, sob o reinado da rainha Maria I, deflagrou um incêndio. O que parecia mais seguro contra terramotos revelou se indefeso contra as chamas. Apesar das tentativas desesperadas de salvamento, o fogo devorou o palácio. Apenas a capela e a biblioteca sobreviveram à destruição.

 

O desastre forçou uma mudança decisiva. A construção de um palácio permanente de pedra começou em 1796 no mesmo local da Ajuda, substituindo décadas de vida improvisada por arquitetura duradoura.

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