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Lisboa, o Refúgio

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Esta cidade portuária permaneceu uma ilha de luz enquanto a Europa se afogava na escuridão. Entre 1940 e 1945, quase um milhão de almas desesperadas inundaram estas ruas, fazendo deste porto a última porta de saída da Europa ocupada pelos nazis.

 

Navios que partiam das docas transportavam refugiados para a América, Brasil, qualquer lugar além do alcance de Hitler. Judeus, artistas, intelectuais e famílias que tinham perdido tudo esperavam em cafés à volta da Praça do Rossio, agarrados a documentos de trânsito que significavam a diferença entre vida e morte.

 

A resistência de um homem mudou a história. Aristides de Sousa Mendes, servindo como cônsul português em Bordéus, recebeu ordens explícitas em junho de 1940 para negar vistos a judeus e refugiados. Em vez disso, trancou se no seu escritório. Durante três dias e noites sem dormir, assinou aproximadamente 30.000 vistos para qualquer pessoa que precisasse, independentemente da religião ou nacionalidade.

 

O preço foi brutal. As autoridades chamaram no de volta, julgaram no e destruíram a sua carreira. Incapaz de trabalhar ou sustentar os seus 15 filhos, Sousa Mendes morreu na miséria em 1954. Durante os seus dias mais escuros, a sua família comia numa cozinha de sopa judaica. Quando lhe disseram que era destinada a refugiados, ele respondeu simplesmente: ""Mas nós também somos refugiados.""

A sua coragem abriu um caminho para a liberdade. Organizações de ajuda judaica como a COMASSIS operavam por toda a cidade, fornecendo abrigo e ajuda a cerca de 60.000 a 80.000 refugiados judeus que escaparam através de Portugal durante a guerra.

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