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Miradouro da Graça

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Este mesmo local inspirou uma das vozes literárias mais poderosas de Portugal. Deste terraço sombreado por pinheiros no bairro da Graça, a poeta Sophia de Mello Breyner Andresen contemplava os telhados de terracota em direção ao Castelo de São Jorge e ao rio Tejo, transformando o que via em poesia que comoveu uma nação.

 

Nascida em 1919 numa família aristocrática com ascendência dinamarquesa, Sophia tornou-se a consciência literária do Portugal do século XX. Publicou 14 coletâneas de poesia explorando natureza, justiça e liberdade, enquanto os seus livros infantis como ""A Menina do Mar"" se tornaram clássicos com que gerações cresceram.

 

Mas Sophia era mais do que uma escritora. Opôs-se abertamente à ditadura salazarista quando falar significava perigo real. Após a Revolução dos Cravos de 1974 que libertou Portugal de décadas de regime autoritário, serviu brevemente como deputada do Partido Socialista, ajudando a redigir a nova constituição democrática.

 

Em 1999, quebrou barreiras como a primeira mulher a ganhar o Prémio Camões, a mais alta honra literária portuguesa. Quando morreu em 2004 aos 84 anos, este miradouro foi renomeado em sua homenagem em 2009. Um busto em bronze marca onde ela se sentava, observando a cidade que amava e sobre a qual escrevia com feroz devoção.

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