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Murais de Almada Negreiros, Alcântara

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Aqui mesmo, oito murais monumentais transformam este salão de passageiros marítimos num dos marcos artísticos mais marcantes de Portugal. José de Almada Negreiros, o principal artista modernista do país, concluiu estes poderosos frescos em 1945 na Gare Marítima de Alcântara, um lugar onde milhares de viajantes esperavam para embarcar em navios que atravessavam o Atlântico.

 

Nascido em São Tomé e Príncipe em 1893, Almada Negreiros foi um visionário autodidata que revolucionou a arte portuguesa através da pintura, escrita e design. Em 1943, o ministro Duarte Pacheco encomendou lhe a decoração deste terminal ribeirinho projetado pelo arquiteto Pardal Monteiro. O artista criou dois grandes trípticos e dois painéis individuais celebrando a vida quotidiana ao longo da margem do Tejo.

 

A parede leste apresenta o seu painel ""Ó terra onde eu nasci"". Outras secções mostram mulheres da ribeira carregando cestos de carvão na cabeça e trabalhando com peixe junto a barcos de madeira. Almada usou cores brilhantes que deram vida a estas cenas, embora os pigmentos verdes tenham se deteriorado mais ao longo das décadas.

 

Os murais cobriram 140 metros quadrados de parede. Após décadas escondidos da vista do público, estes frescos tornaram se parte de um centro de interpretação onde os visitantes podem finalmente apreciar a visão de Almada. A estação fica a 800 metros do terminal de Rocha do Conde de Óbidos, onde ele pintou murais semelhantes em 1949.

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