
Aqui no Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, você está no lugar onde uma das maiores coleções marítimas do mundo nasceu da extraordinária paixão de um rei pelo mar.
O Rei D. Luís I não foi apenas mais um monarca. Ele foi o único rei português que realmente comandou navios de guerra, e estava no mar, capitaneando uma fragata, quando soube que se tornara rei em 1861. Dois anos depois, em 1863, fundou este museu para preservar o legado marítimo da nação. A coleção abriu ao público em 1963, exatamente 100 anos após sua criação.
Mais de 17.000 objetos preenchem estas salas, contando a história dos navegadores portugueses que mudaram o mundo. O galeão real Sírius de 1778 necessitava de 80 remadores e foi construído para um casamento real. Acima de você, o hidroavião Santa Cruz de 1922 marca a primeira travessia aérea do Atlântico Sul. Modelos de navios revelam como as simples caravelas evoluíram para poderosas embarcações oceânicas.
O museu apresenta uma história honesta. Ao lado de magníficos instrumentos de navegação e ornamentadas barcaças reais, reconhece o papel central de Portugal no tráfico transatlântico de escravos. Três quartos de todos os africanos escravizados foram transportados em navios portugueses, uma verdade dolorosa exibida aqui sem evasivas.
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