

Sob a grandiosa fachada do Teatro Nacional na Praça do Rossio jaz um dos capítulos mais sombrios de Portugal. Durante exatamente três séculos, esta elegante praça foi o lar do Palácio dos Estaus, a sede da Inquisição Portuguesa de 1536 a 1821.
O palácio nem sempre foi um lugar de medo. Construído por volta de 1450 como acomodação de luxo para embaixadores estrangeiros e nobres, tornou se algo muito mais sinistro quando o rei D. João III estabeleceu a Inquisição. Por detrás das suas grossas paredes, operavam uma prisão e um tribunal onde milhares enfrentavam acusações de heresia, prática secreta do judaísmo ou bruxaria. Muitos foram torturados para extrair confissões.
A própria praça tornou se um teatro de punição. Em 1540, o primeiro auto da fé realizou se aqui, um espetáculo público onde as sentenças eram anunciadas e execuções realizadas diante de multidões massivas. Estas cerimónias continuaram durante séculos, com os condenados vestindo trajes especiais e chapéus pontiagudos altos enquanto enfrentavam o seu destino.
O palácio sobreviveu ao catastrófico terramoto de 1755 que destruiu grande parte da cidade, apenas para arder em 1836. O Teatro Nacional ergueu se no seu lugar, marcando para sempre este solo onde justiça e crueldade outrora se entrelaçaram.
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