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Palestra futurista de Almada Negreiros

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Por aqui, em 1917, um artista de 23 anos chamado José de Almada Negreiros subiu ao palco do Teatro da República e fez uma das apresentações mais chocantes da história cultural portuguesa. A sua «Conferência/Ultimato Futurista» não era uma palestra. Foi uma declaração de guerra. Almada Negreiros atacou tudo o que o público considerava sagrado. Ele zombou dos escritores mais famosos de Portugal, condenou a cena artística do país como estagnada e retrógrada e exigiu uma ruptura total com a tradição. Ele defendeu o movimento futurista italiano, que glorificava a velocidade, as máquinas, a tecnologia e a destruição dos antigos valores culturais.

 

O público ficou chocado, alguns indignados, outros entusiasmados. O Teatro da República ficava na Rua António Maria Cardoso, onde hoje se encontra o São Luiz Teatro Municipal, num edifício diferente. Aquela única noite transformou Almada Negreiros de um provocador desconhecido numa figura de destaque do Modernismo português. Ele criou alguns dos murais mais importantes do século XX em Portugal, incluindo obras na Gare Marítima de Alcântara e na Universidade de Lisboa. O seu ultimato futurista desafiou toda uma geração a repensar o que a arte e a cultura portuguesas poderiam se tornar. O manifesto que ele leu naquela noite ajudou a desencadear uma revolução cultural que remodelaria a identidade artística da nação durante décadas.

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