
Bem à sua frente está uma igreja cuja construção levou 284 anos para ser concluída, criando um ditado próprio na língua portuguesa. Esta é a Igreja de Santa Engracia, visível por toda Alfama e o rio Tejo.
Em 1630, esta igreja tornou se palco de uma terrível injustiça. Quando alguém invadiu e roubou objetos sagrados, as autoridades prenderam um jovem chamado Simão Pires Solis. Ele estava nas proximidades naquela noite, visitando secretamente sua amante no convento vizinho de Santa Clara. Apesar de sua inocência, foi condenado e queimado vivo em 1631. Antes de morrer, Simão amaldiçoou a igreja, jurando que ela nunca seria concluída.
Sua maldição pareceu funcionar. O edifício desabou numa tempestade em 1681. O arquiteto real João Antunes começou a reconstrução em 1682, projetando uma estrutura barroca deslumbrante inspirada na Basílica de São Pedro em Roma. Mas quando Antunes morreu em 1712, todo o trabalho parou. Por mais de 250 anos, a estrutura inacabada permaneceu vazia, dando aos portugueses a expressão ""Obras de Santa Engracia"" para qualquer projeto que nunca termina.
O edifício foi finalmente concluído em 1966 e convertido no Panteão Nacional, onde repousam as maiores figuras de Portugal, incluindo presidentes, escritores, a fadista Amália Rodrigues e a lenda do futebol Eusébio.
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