
Fica num terreno que não existia há 30 anos. Onde antes havia fábricas tóxicas e matadouros ao longo do estuário do Tejo, este bairro ribeirinho surgiu das ruínas industriais para receber a Expo 98 — a última Feira Mundial do século XX.
Portugal teve seis anos para transformar este terreno baldio numa vitrine para 143 nações. O evento marcou os 500 anos desde que Vasco da Gama chegou à Índia, com o tema «Os Oceanos: Um Património para o Futuro». O que surgiu mudou para sempre a zona ribeirinha oriental.
A Estação do Oriente é o ponto de referência da área. O arquiteto espanhol Santiago Calatrava projetou essa imponente estrutura de vidro e aço de cinco andares, ganhando o Prémio Brunel de 1998. O seu telhado em forma de árvore faz referência às sete colinas da cidade, funcionando como um importante centro de transportes que liga o metro, os comboios e os autocarros.
Caminhe em direção ao rio e encontrará o Pavilhão de Portugal, projetado pelo vencedor do Prémio Pritzker Álvaro Siza Vieira. A peça central é um telhado de betão que parece impossível — com apenas 20 centímetros de espessura, mas 70 metros de comprimento entre dois pórticos enormes. Siza descreveu-o como «uma folha de papel entre dois tijolos». Cabos de aço sustentam o betão drapeado usando tecnologia de ponte suspensa, emoldurando vistas espetaculares sobre o Tejo.
A Telecabine liga os dois marcos. Este teleférico transporta passageiros a 30 metros acima do rio por 1.230 metros em 40 cabines fechadas. A viagem de 8 a 12 minutos oferece vistas panorâmicas da Ponte Vasco da Gama — a mais longa da Europa quando concluída — e de toda a zona ribeirinha que se recusou a tornar-se mais um local abandonado da Expo.
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