
Esta praça no coração da Baixa já viu alguns dos momentos mais sombrios da história de Portugal, mas a galera local ainda se junta aqui, como faz há 700 anos. A estátua de bronze com 23 metros de altura supostamente homenageia o rei Dom Pedro IV, mas a lenda diz que é, na verdade, o imperador Maximiliano do México, que foi rapidamente reaproveitado depois da sua execução em 1867, quando o seu monumento estava quase pronto.
Rossio, que significa «terra comum», tornou-se a praça principal da cidade durante a Idade Média. Mas, de 1536 a 1755, o Palácio dos Estaus, que ficava onde hoje está o grande teatro, serviu como sede da Inquisição Portuguesa. Nas celas subterrâneas, os acusados de heresia sofriam torturas brutais antes de serem executados publicamente.
A praça foi palco do primeiro auto-de-fé de Portugal em 1540, um ritual de queima que atraiu multidões. Por mais de dois séculos, execuções, touradas e proclamações reais aconteceram neste mesmo local.
O catastrófico terramoto de 1755 destruiu o palácio da Inquisição, juntamente com a maioria das estruturas ao redor da praça. A reconstrução deu origem aos elegantes edifícios pombalinos que você vê hoje. O Teatro Nacional Maria II, concluído em 1846, substituiu o palácio da perseguição por um templo da cultura.
Os pavimentos ondulados característicos sob os seus pés, colocados no século XIX, prestam homenagem ao legado marítimo de Portugal. Duas fontes barrocas importadas de França em 1889 emolduram a controversa estátua, marcando este coração da Baixa, onde convergem séculos de triunfo e tragédia.
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