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Refugiados da Segunda Guerra Mundial via Santa Apolónia

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Essa estação ferroviária virou a porta de entrada da Europa para a sobrevivência quando as forças nazistas invadiram o continente. A Estação Santa Apolónia, construída em 1844 como a primeira estação ferroviária de Portugal, virou uma tábua de salvação para milhares de refugiados desesperados entre 1940 e 1941. Trens chegavam todos os dias da França e da Espanha, lotados de famílias judias, dissidentes políticos e exilados da realeza com vistos temporários e documentos de trânsito.

 

Os historiadores estimam que entre 100 000 e um milhão de refugiados passaram por Portugal durante a guerra, com muitos a pisar estas mesmas plataformas em busca de navios com destino à América, Brasil ou Palestina. As cenas eram impressionantes. Viajantes exaustos dormiam em bancos de madeira enquanto as crianças se agarravam aos pais. Os diplomatas portugueses trabalhavam durante a noite a tratar da papelada. Alguns refugiados esperavam semanas pela passagem, ficando sem dinheiro e sem esperança.

 

Outros chegaram apenas para descobrir que o seu navio já tinha partido. A neutralidade de Portugal tornou-o uma das últimas rotas de fuga da Europa ocupada. Enquanto os exércitos de Hitler controlavam a maior parte do continente, esta estação no bairro de Alfama continuava a ser um ponto de passagem entre a tirania e a liberdade. As plataformas onde outrora os refugiados esperavam com medo recebem agora diariamente passageiros e turistas.

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