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Rua da Judiaria

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Neste mesmo chão outrora existiu o coração pulsante de uma próspera comunidade judaica, onde famílias se reuniam em sua sinagoga, crianças estudavam a Torá nas escolas judaicas, e comerciantes enchiam o ar com orações hebraicas e canções em ladino.

 

A Rua da Judiaria, construída por volta de 1373, foi a última judiaria estabelecida em Alfama. Durante mais de um século, esta rua abrigou centenas de famílias judaicas que viviam, trabalhavam e adoravam livremente. O bairro tinha sua própria sinagoga, banhos rituais chamados mikvehs, e escolas onde gerações preservavam suas tradições ancestrais.

 

Tudo mudou em dezembro de 1496 quando o rei Manuel I, pressionado pelos monarcas católicos de Espanha, emitiu um decreto de expulsão. Todos os judeus tinham que se converter ao cristianismo ou deixar Portugal até outubro de 1497. Quando 20.000 judeus se reuniram no porto esperando navios, o rei os traiu. Ele os encurralou no Rossio, tomou seus filhos para batismos forçados, e deixou os pais sem comida ou água por três dias até que se submetessem à conversão.

 

A sinagoga foi destruída. As casas foram confiscadas e entregues à Igreja e aos nobres. Em abril de 1506, um massacre irrompeu na igreja vizinha de São Domingos, matando entre 500 e 4.000 desses judeus convertidos à força em três dias horríveis.

A rua pela qual você caminha é tudo o que resta fisicamente deste mundo judaico medieval.

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