
Aqui mesmo foi onde um dos santos mais amados do cristianismo abriu os olhos pela primeira vez em 1195, embora o mundo o conheça pelo nome de outra cidade. Fernando Martins de Bulhões nasceu a poucos passos da imponente catedral neste bairro histórico, numa família abastada que esperava que seguisse um caminho nobre convencional.
Ainda adolescente, Fernando ingressou na ordem agostiniana para estudar escritura e teologia. A sua vida mudou drasticamente em 1220 quando os frades franciscanos trouxeram de volta os corpos de cinco mártires mortos em Marrocos. Comovido pelo sacrifício deles, abandonou a sua vida confortável, juntou se aos franciscanos e adotou o nome António.
O que aconteceu a seguir surpreendeu a todos. A pregação de António atraiu multidões enormes por toda a Itália e França. O seu profundo conhecimento da Bíblia, combinado com a sua genuína compaixão pelos pobres e doentes, tornou o lendário. Ele conseguia silenciar hereges com lógica e comover corações endurecidos com as suas palavras.
Quando morreu em Pádua em 1231 com apenas 36 anos, o seu impacto foi tão profundo que a Igreja o canonizou menos de um ano depois, uma das canonizações mais rápidas já registadas. A igreja barroca que se ergue aqui agora eleva se sobre uma cripta que marca o seu local exato de nascimento, visitada por inúmeros peregrinos incluindo o Papa João Paulo II em 1982.
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