
Por trás deste edifício na Travessa do Carvalho, revolucionários planearam a queda de uma monarquia de 771 anos. Os Banhos de São Paulo, um humilde balneário público construído em 1850, tornaram se no centro de comando secreto que mudou para sempre a história portuguesa.
Durante décadas, este estabelecimento termal serviu os residentes mais pobres da cidade, oferecendo banhos curativos com águas medicinais bombeadas de nascentes perto da Praça do Comércio. Mas em outubro de 1910, conspiradores republicanos escolheram estas salas discretas para coordenar o levantamento contra o rei Manuel II. Aqui, oficiais militares e civis planearam cada detalhe da revolta que terminaria séculos de governo real.
Na noite de 3 de outubro, a tensão encheu estes corredores. Na noite seguinte, o almirante Cândido dos Reis chegou ao balneário esperando liderar as forças navais. Em vez disso, alguém lhe deu notícias devastadoras: a revolução tinha falhado. A informação era completamente falsa, mas o almirante acreditou.
Destroçado e desesperado, Cândido dos Reis caminhou até à casa da sua irmã em Arroios. Ali, disparou contra si próprio. O seu corpo foi encontrado na manhã seguinte, 5 de outubro, o mesmo dia em que a República foi proclamada da varanda dos Paços do Concelho. Morreu apenas horas antes do sonho da sua vida se tornar realidade, nunca sabendo que a revolução tinha triunfado.
O edifício ainda permanece, com as suas paredes guardando uma das mais trágicas ironias da história portuguesa.
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