
Bem vindo a uma das transformações mais dramáticas da Europa, onde a arte substituiu o terror na Praça do Rossio. O grandioso Teatro Nacional D. Maria II ergue se no local exato onde a Inquisição Portuguesa exerceu o seu poder durante mais de dois séculos.
O Paço dos Estaus, construído por volta de 1450 como alojamento para a nobreza visitante, tornou se a sede da Inquisição no século XVI. Entre estas paredes, julgamentos religiosos determinaram o destino de milhares de pessoas, e foram pronunciadas sentenças que mudaram vidas para sempre. O palácio sobreviveu ao catastrófico terramoto de 1755 que destruiu grande parte da cidade, mas acabou por arder num incêndio em 1836.
O escritor romântico Almeida Garrett viu uma oportunidade de substituir este símbolo de medo por um templo de cultura. Convenceu o governo a construir aqui um teatro nacional, desenhado pelo arquiteto italiano Fortunato Lodi em estilo neoclássico. O edifício abriu a 13 de abril de 1846, data deliberadamente escolhida para assinalar o 27º aniversário da Rainha Maria II.
A inauguração foi simultaneamente triunfo e desastre. Após apenas uma representação, o teatro fechou devido à acústica terrível. Foram necessários anos de renovações antes de poder reabrir com sucesso. As seis imponentes colunas jónicas à entrada foram recuperadas do arruinado Convento de São Francisco, outra vítima do terramoto de 1755, dando nova vida a fragmentos do passado destruído da cidade.
Algum comentário sobre esta história?